Levantamento revela que veículos como Dodge Hellcat e Chevrolet Corvette são guardados em garagens, enquanto Ferraris continuam nas estradas
Nos Estados Unidos, uma parcela cada vez maior de consumidores tem adquirido carros esportivos não para dirigir, mas como investimento. Modelos como Dodge Hellcat, Chevrolet Corvette, Ford Mustang e Ford GT estão sendo comprados em concessionárias ou leilões, e, imediatamente guardados, com a esperança de que se valorizem com o tempo. A tendência, revelada por um estudo da empresa Hagerty, desafia a lógica tradicional de que carros foram feitos para rodar — e para contar histórias.
A pesquisa analisou veículos com ano-modelo a partir de 2016 e descobriu que muitos desses automóveis chegam aos leilões com quilometragens extremamente baixas. A surpresa está na identidade dos “colecionáveis modernos”: não são Ferraris ou Lamborghinis, mas sim muscle cars americanos. No levantamento, 44 modelos da Dodge — em especial o Challenger — apresentaram menos de 160 quilômetros rodados, comportamento bem fora do padrão médio de 1.609 a 16.091 km registrados para carros de uso comum com até dez anos de fabricação.
Ferraris e Porsches nas ruas
Ao contrário do que se imaginava, os donos de marcas tradicionais de luxo como Ferrari e Porsche tendem a aproveitar seus carros. Apenas oito exemplares dessas marcas vendidas recentemente em leilões apresentavam menos de 275 quilômetros rodados. Isso indica que, para os entusiastas dessas montadoras europeias, dirigir ainda é parte fundamental da experiência automotiva — diferente do que ocorre com os compradores dos muscle cars americanos.
O fenômeno pode estar relacionado ao fim de uma era: com o avanço dos carros elétricos e o cerco a motores potentes por questões ambientais, muitos enxergam esses modelos como os “últimos grandes V8”. Assim, deixam os carros dormindo nas garagens, esperando que o tempo — e o mercado — façam seu papel. A transformação de veículos de rua em ativos colecionáveis revela não apenas mudanças no comportamento do consumidor, mas também nas prioridades da cultura automotiva norte-americana.