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Bem-estar & Saúde

Doutores da Alegria celebram 35 anos levando arte e risos aos hospitais

03/10/2026 • 09:27 • Por Waleria de Carvalho

A presença recorrente permite que os palhaços conheçam a dinâmica dos hospitais e construam suas intervenções a partir das situações e dos encontros que surgem pelo caminho

Foto: Divulgação

Organização mantém projetos no Rio e em Niterói que levam palhaçaria e espetáculos de teatro, música, dança, circo e poesia para dentro de unidades públicas de saúde

Nem todo mundo que circula de jaleco pelos corredores de um hospital carrega estetoscópio. Alguns chegam de nariz vermelho e encontram no improviso, na música e no humor outras maneiras de atravessar uma rotina normalmente dominada por exames, procedimentos e espera. É nesse território improvável entre a enfermaria e o palco que os Doutores da Alegria, que completam 35 anos, desenvolvem sua atuação. No estado do Rio, a organização mantém duas iniciativas com propostas diferentes e complementares: Palhaços em Hospitais, com presença contínua de artistas no Hospital Municipal Jesus, na capital, e no Hospital Municipal Getúlio Vargas Filho, em Niterói; e Plateias Hospitalares, que leva uma programação de espetáculos a unidades públicas de saúde do Rio e da Região Metropolitana.

No Palhaços em Hospitais, artistas especializados na linguagem da palhaçaria visitam as unidades duas vezes por semana e interagem principalmente com crianças, adolescentes, familiares, acompanhantes e profissionais de saúde. Diferentemente de uma apresentação isolada, a presença recorrente permite que os palhaços conheçam a dinâmica dos hospitais e construam suas intervenções a partir das situações e dos encontros que surgem pelo caminho. A proposta não é ignorar a realidade de quem enfrenta uma internação, mas incorporar a arte a esse cotidiano, respeitando as condições clínicas e os limites de cada paciente e abrindo espaço para momentos de interação em meio a uma rotina marcada por tratamentos e preocupações.

Quando a enfermaria ganha palco

Já o Plateias Hospitalares, criado em 2009, transforma temporariamente hospitais em espaços culturais ao levar para dentro das unidades apresentações de Teatro, música, dança, Circo, poesia e cortejos. Atualmente, o circuito informado pela organização contempla seis hospitais: Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias; Hospital Estadual Azevedo Lima, em Niterói; Hospital Estadual Eduardo Rabello, em Campo Grande; Hospital Municipal da Piedade, no Rio; Hospital Estadual da Mulher Heloneida Studart, em São João de Meriti; e Instituto Nacional de Cardiologia, em Laranjeiras. A programação é destinada não somente aos pacientes, mas também a acompanhantes, profissionais de saúde e demais colaboradores das unidades.

Levar um espetáculo para um hospital, porém, exige mais do que simplesmente trocar o teatro pela enfermaria. Artistas e companhias selecionados precisam adaptar suas apresentações às particularidades de cada unidade, considerando corredores, proximidade dos leitos, diferentes condições dos pacientes, limitações de iluminação e som e, sobretudo, a necessidade de não interferir na assistência médica. Ao completar 35 anos de trajetória, os Doutores da Alegria mantêm, assim, uma atuação que aproxima dois universos aparentemente distantes: saúde e cultura. Se o tratamento continua pertencendo aos profissionais da medicina, a arte encontra seu próprio espaço entre corredores e quartos — e mostra que, mesmo dentro de um hospital, ainda pode haver lugar para uma plateia, um espetáculo e um nariz vermelho.

Waleria de Carvalho