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Bets fora, craques também: Flamengo admite negociar Paquetá e Lino no pior cenário

02/10/2026 • 09:50 • Por João Vieira

Paquetá e Samuel Lino são as principais possibilidades de negociação em 2027 por reunirem idade, valorização e mercado internacional

Imagem: Fotos: Divulgação/CRF

Diretoria avalia alternativas para 2027 diante do risco de perder receita milionária da Betano e dos compromissos ainda pendentes com contratações do elenco

A conta das bets pode acabar chegando ao campo, e atingir justamente alguns dos nomes mais valiosos do elenco rubro-negro. O Flamengo estuda a possibilidade de vender Samuel Lino e Lucas Paquetá caso a proibição das casas de apostas no Brasil se prolongue por 2027, em um cenário considerado pela diretoria como o mais desfavorável para as finanças do clube. As possíveis negociações entraram nas discussões internas diante do impacto que a perda das receitas da Betano, patrocinadora máster, provocaria no planejamento dos próximos anos. O contrato prevê até R$ 268 milhões anuais, enquanto o Flamengo ainda precisa cumprir compromissos financeiros assumidos em contratações de alto valor. Entre os nomes analisados, Samuel Lino aparece como um dos jogadores com maior potencial para gerar receita rapidamente, enquanto Paquetá representa um caso particularmente sensível pelo tamanho do investimento feito para trazê-lo de volta ao clube.

Samuel Lino é apontado como uma das principais possibilidades de negociação em 2027 por reunir idade, valorização e mercado internacional. O atacante, de 26 anos, voltou a ser convocado para a seleção brasileira e atravessa um período de valorização esportiva. Sua contratação também deixou obrigações futuras: o Flamengo pagou 25 milhões de euros ao Atlético de Madrid, quitou uma parcela em 2025 e ainda possui duas previstas até 2027, segundo as informações publicadas. Paquetá aparece logo depois entre as alternativas consideradas. A operação para repatriá-lo tornou-se a maior contratação da história do clube, com custo total divulgado no balanço rubro-negro de R$ 315,669 milhões, incluindo direitos, luvas e intermediação. Ao fim do primeiro semestre, ainda restavam pouco mais de R$ 191 milhões em pagamentos relacionados à contratação do meia.

A conta entra em campo

A preocupação já havia sido explicitada pelo presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, ao questionar publicamente como o clube pagaria Paquetá diante da perda das receitas provenientes das casas de apostas. O diretor de futebol José Boto esclareceu que a preocupação não está relacionada ao salário do jogador, mas aos compromissos assumidos com o West Ham pela contratação. Boto afirmou ainda que, no pior cenário, o Flamengo poderá precisar vender jogadores e deixar de repor essas saídas para preservar recursos destinados às obrigações já contratadas. Outros atletas também aparecem nas avaliações sobre possíveis negociações, entre eles Everton Araújo e Gonzalo Plata. Além de Paquetá e Samuel Lino, o clube possui compromissos futuros relacionados a outros reforços, o que aumenta a pressão sobre o planejamento caso uma importante fonte de receita desapareça.

O centro da preocupação é justamente o tamanho que o patrocínio das bets ganhou nas contas do futebol brasileiro. No caso rubro-negro, o vínculo com a Betano previa R$ 250 milhões fixos por ano e até R$ 268 milhões com metas, e os pagamentos referentes a 2026 já haviam sido recebidos pelo Flamengo. A incerteza está concentrada principalmente nos exercícios seguintes, quando o clube ainda terá parcelas de contratações a pagar. O problema também ultrapassa a Gávea: Flamengo e outros clubes recorreram ao STF contra a medida que proíbe as apostas, argumentando que contratos firmados dentro das regras anteriores poderiam ser comprometidos. Para o Flamengo, portanto, o pior cenário produziria uma inversão incômoda no planejamento: depois de investir centenas de milhões para reforçar o elenco, o clube poderá ter de recorrer justamente à venda de jogadores para fechar a conta deixada pelo desaparecimento das receitas das bets.

João Vieira
Colunista Oficial João Vieira

Diretor de Redação da empresa NTDBR - Notícia Todo Dia