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Coluna: Bichos & etc

Pequeno no tamanho, mico-leão-dourado é gigante na preservação

01/10/2026 • 17:14 • Por Elaine Ribeiro

Símbolo da fauna do Rio de Janeiro, primata que já esteve em situação crítica virou referência na luta pela conservação da Mata Atlântica

Ele cabe entre os galhos de uma árvore, pesa pouco e chama atenção pela juba que parece ter sido pintada de ouro. Mas o tamanho diminuto esconde uma enorme importância ambiental. O mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia) tornou-se um dos animais mais conhecidos da fauna do Rio de Janeiro e um símbolo da preservação da Mata Atlântica. Endêmico do bioma fluminense, segundo o Instituto Estadual do Ambiente (INEA), o primata vive principalmente nas baixadas litorâneas do estado, onde suas populações estão fragmentadas. Entre seus principais refúgios estão as reservas biológicas de Poço das Antas, em Silva Jardim, e União, em Casimiro de Abreu. 

A história do mico-leão-dourado, porém, esteve perto de ter um final bem diferente. A destruição e a fragmentação das florestas reduziram drasticamente seu habitat e levaram a espécie a uma situação crítica, transformando o pequeno primata em uma verdadeira bandeira da conservação da natureza. Atualmente, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) mantém um programa de manejo populacional voltado à recuperação da espécie em sua área de ocorrência, incluindo estratégias como reforço das populações e reintrodução de animais. A Área de Proteção Ambiental da Bacia do Rio São João/Mico-Leão-Dourado, com mais de 150 mil hectares, também tem entre seus objetivos a proteção da espécie e de seu habitat.

Uma floresta para chamar de casa

É entre árvores, galhos e ocos da Mata Atlântica que o mico-leão-dourado encontra alimento, abrigo e proteção contra predadores e intempéries. De acordo com o INEA, os grupos costumam utilizar cavidades em árvores para dormir, o que reforça a importância de preservar não apenas determinadas áreas, mas também a qualidade e a conexão entre os fragmentos florestais. A proteção do animal, portanto, está diretamente ligada à conservação de todo o ecossistema. Ao preservar seu habitat, também são protegidos rios, árvores e inúmeras outras espécies da fauna e da flora, algumas igualmente ameaçadas.

A importância do mico-leão-dourado ultrapassou os limites das florestas fluminenses e chegou até ao bolso dos brasileiros: sua imagem foi escolhida para estampar a cédula de R$ 20, tornando o pequeno primata conhecido em todo o país. Mais do que um animal de aparência marcante, ele se tornou uma espécie de embaixador da biodiversidade brasileira. Sua trajetória mostra como ações de conservação podem mudar o destino de uma espécie ameaçada, mas também serve de alerta: sem florestas preservadas e conectadas, sua sobrevivência continua vulnerável. Pequeno no tamanho, raro e inconfundível pela pelagem dourada, o mico-leão-dourado carrega hoje um peso muito maior do que o próprio corpo: o de representar a luta pela sobrevivência da Mata Atlântica.

Elaine Ribeiro